segunda-feira, junho 06, 2011

Uso de ultrassonografia torácica: 2. semiotécnica

O exame de ultrassonografia depende em grande parte da capacidade do transdutor propagar o som através dos tecidos. O ar é um meio de propagação ruim, enquanto o tecido muscular e de órgãos, como fígado e rins, são ecogênicos (boa propagação). Inicialmente, deve-se escolher o transdutor. Dentre os transdutores que podem ser usado, prefere-se o convexo, porque ele oferece imagem ampliada através do espaço intercostal e tem boa visão de estruturas profundas. O transdutor deve ser aplicado na região torácica tal como se aplica o estetoscópio para o exame de ausculta, ou seja, na sequência: região torácica abaixo da clavícula (ápice), região média, na altura da base pulmonar e mais posteriormente. A posição ideal do transdutor é perpendicular aos espaços intercostais, formando a imagem de “asas de mocego”(Lichteinstein). Deve-se localizar as pleuras parietal e visceral, que normalmente deslizam uma sobre a outra (“pleural sliding”). É recomendável também que se projete neste momento o modo M, que irá normalmente mostrar um padrão de visualização, a partir da estrutura menos para a mais profunda, com pele, subcutâneo, pleuras e tecido pulmonar (que dá a aparência de água do mar para o que está acima das pleuras e areia da praia para aquilo que está abaixo das pleuras). O padrão normal do tecido pulmonar é a linha A: são linhas horizontais, paralelas à pleura, que refletem o som que é refletido no parênquima e retorna ao transdutor. O próximo padrão é a linha B: é uma linha vertical, que parte da pleura visceral e avança até a parte de visualização mais profunda no tórax. As linhas B são a representação de que existe líquido no interstício pulmonar. Elas podem ser finas (linhas B1) ou espessas/grossas (linhas B2). O padrão característico de 1 linha B é o sinal de cauda de cometa (“comet tail”) (Lichtenstein 1999).

André Japiassú

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