quinta-feira, janeiro 27, 2011

HEMOGLOBINA GLICOSILADA OU GLICADA?

A combinação da glicose com a cadeia beta da hemoglobina é um processo não enzimático. Por esta razão o nome correto é hemoglobina glicada (HbA1C). Se a combinação entre a glicose com a hemoglobina fosse catalizada por uma enzima, o nome correto seria hemoglobina glicosilada. A presença de HbA1C superior a 6,5% é critério para o diagnóstico de diabete melito.

Flávio E. Nácul

sexta-feira, janeiro 21, 2011

REVISÃO DE CIÊNCIA BÁSICA: O QUE É UM CITOCROMO?

Citocromo é uma proteína que contem um grupamento heme (hemoproteína) e que apresenta a capacidade de transportar eletrons.

Exemplos: citocromos localizados nas mitocondrias e que produzem ATPs na cadeia respiratória e Citocromo P 450 no fígado que participa da metabolização de fármacos.

Flávio E. Nácul

REVISÃO DE CIÊNCIA BÁSICA: FARMACOLOGIA

GRUPOS DE ANTIFÚNGICOS USADOS NA PRÁTICA:

1) Poliênicos: Anfotericina B e Anfotericina B com formulação lipídica.

2) Imidiazólicos: Fluconazol e Voriconazol

3) Equinocandinas: Caspofungina e Anidulafungina

A Anfotericina é fungicida de amplo espectro embora muito tóxica podendo causar febre, tremores, hipopotassemia, hipomagnesemia e principalmente insuficiência renal. A formulação lipídica é menos tóxica. O fluconazol é fungostático, pouco tóxico e não cobre Candida Krusei e Glabrata.Em pacientes não-neutropênicos que desenvolvem candidemia não apresentando instabilidade clínica severa, desde que não tenham recebido profilaxia com derivados azólicos, fluconazol é considerada a droga de eleição para a terapêutica inicial para infecção fúngica. O voriconazol é um triazólico de segunda geração, com disponibilidade de formulações para uso oral e parenteral, compartilhando algumas características farmacocinéticas e de espectro de ação com o fluconazol. Tem amplo espectro de ação antifúngica, sendo ativo contra espécies do gênero Candida, incluindo C. glabrata e C. krusei. A formulação oral tem boa biodisponibilidade, permitindo terapêutica seqüencial segura, e níveis terapêuticos em diferentes tecidos, incluindo o sistema nervoso central. Este antifúngico é metabolizado no fígado, através de enzimas dependentes do citocromo P 450. É necessário ajuste da dose em casos de insuficiência hepática moderada e deve ser medido o risco beneficio nas formas graves de insuficiência hepática. A eliminação da forma ativa por via renal é mínima, não havendo necessidade de ajuste da dose quando utilizada a apresentação via oral. Já a apresentação endovenosa, tendo em vista o acúmulo potencial de excipiente (ciclodextrina) em pacientes com falência renal, deve ser evitada em pacientes com clearence de creatinina inferior a 50ml/min. As equinocandinas são fungicidas para candida e apresentam a mesma eficácia que a anfotericina sem produzir toxicidade renal, sendo considerada drogas bastante seguras. Alterações enzimáticas hepáticas podem ocorrer com a caspofungina. A anidulafungina tem a mesma eficácia e espectro de ação da caspofungina embora seja menos hepatotóxica.

Flávio E. Nácul

quinta-feira, janeiro 20, 2011

SIGNIFICADO DE HIPERLIPASEMIA NO PACIENTE CRÍTICO

Manjuck e colaboradores encontraram hiperlipasemia em 40% dos pacientes críticos. Segundo os autores, o aumento da concentração sérica de lipase não tem significado clínico e ocorre por hipoperfusão tecidual e resposta inflamatória envolvendo o pâncreas.

Manjuck J: Clinical Significamce of Increased Lipase Levels on Admission to the ICU. Chest 2005; 127:246-250

Flávio E. Nácul

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Como diferenciar meningite asséptica de bacteriana?

Cerebrospinal fluid lactate concentration to distinguish bacterial from aseptic meningitis: a systemic review and meta-analysis

Nguyen T Huy email, Nguyen TH Thao email, Doan TN Diep email, Mihoko Kikuchi email, Javier Zamora email and Kenji Hirayama email

Critical Care 2010, 14:R240doi:10.1186/cc9395

Uma das maiores dúvidas em pacientes em pós-operatório de neurocirurgia que utilizam DVE é a diferenciação entre meningite asséptica de pós-operatório e meningite bacteriana como complicação cirúrgica. Não raro esses pacientes acabam sendo tratados empiricamente parqa meningite bacteriana devido a dificuldade diagnóstica e impossibilidade de comprovação de outro foco infeccioso.

Nesta meta-análise, os autores analisam 25 artigos que tentaram utilizar o lactato do líquor como parâmetro para distinção entre meningite asséptica e bacteriana. A conclusão final é a de que um lactato liquórico > 3,5 mmol/L apresenta uma boa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de meningite bacteriana, com uma área sob a curva ROC de 0,9451, indicando excelente acurácia.

A acurácia diagnóstica do lactato, nesta meta-análise, foi superior a da glicose, quociente de glicose LCR/plasma, proteína e citomeria do líquor.

O lactato do líquor pode, então, ser utilizado como mais um armamentário para guiar o diagnóstico de meningite bacteriana.

Cássia Righy